segunda-feira, 6 de junho de 2011

O lixo SULISTA contra o plebiscito




Tapajós, um Estado interessante
06/06/2011
IVAN LESSA
COLUNISTA DA BBC BRASIL

Exatamente o que faltava! Na mosca, o que o Brasil precisava! Conosco ninguém podemos, conforme dizem as novas gramáticas do MEC! Agora ninguém mais nos segura! Vem Estado novo aí! Casaca, aca, aca! E, cansado e sem fôlego, de tantas exclamações, apresso-me em esclarecer que nada tem a ver com uma chegada retro ao regime, hoje tão distinto, do ditador Vargas.

Não bastassem os progressistas 26 (ou 27? Há dúvidas) Estados e um Distrito Federal, que tantas alegrias nos têm proporcionado, em nossas terras abençoadas, e até mesmo aqui no pobre do exterior, tamanho o seu sucesso, que, mesmo sem o alto patrocínio ou chancela de Eike Batista, o sexto ou oitavo homem mais rico do mundo, vamos acrescentar mais uma unidade federativa ao nosso querido e progressista Brasil.

Seu nome aflora aos lábios e acaricia os ouvidos como rio correndo (chuá, chuá) ou árvore sendo derrubada (cataplum): Tapajós. Para que fique claro, repito silabando, Ta-pa-jós.

Deu certo o incansável movimento pró-plebiscito para a criação, ou parto pertinente, de um novo Estado dito 'sustentável', segundo seus acólitos, torcedores, outras redundâncias e algumas centenas de interessados.

O lema do Estado-calouro já foi bolado e decidido em plenário público sito numa das raras clareiras da selva amazônica (embora poucos brasileiros saibam da história toda).

Seguinte: "Tapajós, o Estado verde da Amazônia". Sim, verde, verde, que eles o querem verde, como poetas espanhóis, e não amarelo, fúcsia ou furta (epa!)- cor.
Sua composição já está traçada e resta a vocês, nas cercanias, ou lá pelo sul, prestarem atenção e admirar nosso indomável espírito auriverde.

Tapajós terá 1 governador, 3 senadores, 8 deputados federais, bancada de 28 representantes de diversos municípios. Mais aquela gente que outros Estados mais velhos estão fartos de conhecer.

Segundo os anúncios oficiais, seu "centro estará mais próximo do povo". Que povo? E como chamá-lo? Tapajoense? Tapajoara?

A empreitada custará a bagatela (eu sempre quis usar essa palavra) de R$ 901,8 milhões de reais, coisa que nosso bom, nosso grande (e da Alemanha também)

Eike tiraria de letra. Isso apenas para construir e instalar a sede governamental, a assembleia legislativa, o tribunal de justiça, secretarias e outros prédios de igual importância.

Mas, peraí! Tapajós vai baixar de disco-voador? Surgir de um furacão como Oz, que veio e se foi, para Dorothy? Em absoluto. Temos nossos jeitinhos. E jeitões.

Tapajós (para quando seu hino?) será composto, caso Estado, ou composta, caso unidade federativa, do desmembramento do Pará, que, ao que tudo indica, está lá há séculos dormindo no ponto sem fazer bulhufas.

Tapajós será trinchada como um gordo leitão das regiões do baixo Amazonas e do sudoeste paraense. Tudo indica que sua capital será Santarém.

Não, não foi pedido nenhum projeto ao grande Oscar Niemeyer. Sua área total de 722.352 km2, aliás a quarta maior do Brasil, terá de se virar com os talentos locais, cuja fama se espalha pela selva como Tarzan cruzando-a de cipó.

Afinal, serão 1.300.000 habitantes, muitos dos quais arquitetos alfabetizados e formados em universidades de outros grandes centros da Amazônia, já que a região não dá só pirarucu e madeireiros legais e ilegais.

O Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), aquele mesmo que, por capricho ou conveniência, tacou a Bahia, coitada, no nordeste, aponta que a região terá um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 9,173 bilhões, superior a dos Estados do Acre, Amapá e Roraima, quiçá (outra palavra na qual sou vidrado) da conta no banco da esquina favorecido pelo esplêndido Eike Batista.

É bom lembrar que o proposto, embora já garantido, Estado já apresenta, antes mesmo das licitações, nomeações e eleições, um dos índices sociais mais baixo do país.

Sem dar pelota à língua e às estatísticas ferinas da oposição, o novo Tapajós garante que irá gerar perto de 200 mil empregos. Oba, oba!

E isso sem falar em sua importância para a segurança nacional e de nossas fabulosas usinas nucleares, embora não haja nenhuma por perto. Chegar-se-a lá, garanto, chegar-se-a lá.

Eu digitei "índices mais baixos". Estou apenas tentando acompanhar, segundo as cartilhas oficiais, as evoluções e convulsões de nossa língua, nosso povo, nossa terra. Welcome to the farra, Tapajós.

http://www1.folha.uol.com.br/bbc/925811-tapajos-um-estado-interessante.shtml

Em conferência na Ásia Socorro Gomes denuncia militarismo dos EUA - Portal Vermelho

Em conferência na Ásia Socorro Gomes denuncia militarismo dos EUA - Portal Vermelho

Debate sobre Separação no CORECON-PA, teatro montado!

Data do Plebiscito do Tapajós e e Carajás




Plebiscito sobre criação do Estado
do Tapajós será em seis meses, Decreto autorizando a consulta sobre o Estado do Carajás também já foi publicado


O Diário Oficial da União publicou, nesta sexta-feira (3), o decreto que autoriza a realização de um plebiscito sobre a criação do Estado do Tapajós, no prazo de seis meses.

Caso aprovada, a nova unidade será desmembrada da área do Pará onde se situam as cidades de Almeirim, Prainha, Monte Alegre, Alenquer, Óbidos, Oriximiná, Faro, Juruti, Belterra, Santarém, Porto de Moz, Vitória do Xingu, Altamira, Medicilândia, Uruará, Placas, Aveiro, Itaituba, Trairão, Jacareacanga, Novo Progresso, Brasil Novo, Curuá, Rurópolis, Senador José Porfírio, Terra Santa e Mojuí dos Campos.

O Tribunal Superior Eleitoral dará instruções ao Tribunal Regional Eleitoral do Pará para organização, realização, apuração, fiscalização e proclamação do resultado do plebiscito.

Segundo o texto do Diário Oficial, no prazo de dois meses, contado da proclamação do resultado do plebiscito, se este for favorável à criação do Estado do Tapajós, a Assembleia Legislativa do Estado do Pará questionará seus membros sobre a medida, comunicando em três dias o resultado ao Congresso Nacional.

Carajás

O decreto autorizando o plebiscito para a criação do Estado do Carajás, outra separação do Pará, foi publicado no dia 27 de maio no Diário Oficial.

Se for aprovada, a nova unidade será composta pelas seguintes cidades: Abel Figueiredo, Água Azul do Norte, Anapu, Bannach, Bom Jesus do Tocantins, Brejo Grande do Araguaia, Breu Branco, Canaã dos Carajás, Conceição do Araguaia, Cumaru do Norte, Curionópolis, Dom Elizeu, Eldorado do Carajás, Floresta do Araguaia, Goianésia do Pará, Itupiranga, Jacundá, Marabá, Nova Ipixuna, Novo Repartimento, Ourilândia do Norte, Pacajá, Palestina do Pará, Parauapebas, Pau d'Arco, Piçarra, Redenção, Rio Maria, Rondon do Pará, Santa Maria das Barreiras, Santana do Araguaia, São Domingos do Araguaia, São Félix do Xingu, São Geraldo do Araguaia, São João do Araguaia, Sapucaia, Tucumã, Tucuruí e Xinguara.

Fonte: http://noticias.r7.com/brasil/noticias/plebiscito-sobre-criacao-do-estado-do-tapajos-sera-em-seis-meses-20110603.html?question=0

IFCH - Debate sobre "Antropologia, Evolução, Diversidade e Racismo"




Realização: 6 de junho de 2011, às 16h, no auditório do IFCH.
Informações:
site » http://www3.ufpa.br/multicampi/TempAscom/hilt.pdf

IFCH: Debate "Saber, poder e estratégias de normalização: identidade genético-criminal a partir de Michel Foucault"




Realização: 8 de junho de 2011, às 16h, no IFCH.

Informações: site » http://www3.ufpa.br/multicampi/TempAscom/fouc.pdf

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Separatismo versus Paraensismo, a montagem dos destacamentos para a guerra




A Associação Comercial do Pará lança, nesta quinta-feira (2), o Comitê em Defesa do Pará, que defende a não divisão do Estado. O Comitê tem como objetivo levar à sociedade informações sobre o tema e defender o território paraense. Inicialmente, é composto por Sérgio Bitar (ACP), Oswaldo Tuma (ACP), José Conrado (Fiepa), Zenaldo Coutinho (Deputado Federal) e Eduardo Costa (Corecon).


O Comitê funcionará na sede da ACP, no 4º andar. Sérgio Bitar, presidente da Associação, informa que o mesmo estará aberto a quem queira participar e dar o seu voto contra a divisão do Pará, que a sociedade estará indo às urnas para votar a favor ou não da criação dos Estados do Tapajós e Carajás.


Serviço - Lançamento do Comitê em Defesa do Pará, no daia 2 de junho, às 18h30, na Associação Comercial do Pará. Mais informações pelo telefone 4005– 912 (Lucio Cavalcanti - Superintendente).

fonte: http://www.orm.com.br/plantao/noticia/default.asp?id_noticia=535410

AS RAZÕES DO PARAENSISMO. Ou parauarismo

Sérgio Martins PANDOLFO*

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades;
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudanças,
Tomando sempre novas qualidades

Camões, Soneto (fragmento)

Paraensismo tem sido empregado muito frequentemente, e parece haver sido cunhado pelo ex-governador Almir Gabriel (castanhalense de boa cepa), com o intuito, muito positivo, de elevar o orgulho, a autoestima dos nascidos neste torrão do Norte.
Trata-se de atitude louvável e altamente salutar, a fim de neutralizar o negativismo, o amofinamento que já há algum tempo vinha minando o alter-ego de nosso povo, principalmente depois que alguém, aleivosamente, adjetivou nossa bela capital e nosso Estado de terra do “já teve”, expressão que, a par de incutir no povo a idéia de retrocesso, de definhamento, denota profundo desapreço ou desamor pelo que temos e pelo que somos.


fonte: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1751773

PROINTER - Prêmios Santander Universidades 2011


PROINTER - Prêmios Santander Universidades 2011

Inscrição: até 13 de setembro de 2011.

Informações:
site » http://www.ascom.ufpa.br/links/santander2011.pdf

Banda larga de R$ 35 deve chegar em julho, diz ministro Paulo Bernardo


Banda larga de R$ 35 deve chegar em julho, diz ministro Paulo Bernardo

http://blogdadilma.blog.br/2011/06/banda-larga-de-r-35-deve-chegar-em-julho-diz-ministro-paulo-bernardo.html

CIA adverte Grécia sobre golpe militar por rebelião popular - Portal Vermelho


CIA adverte Grécia sobre golpe militar por rebelião popular - Portal Vermelho

UFPA apoia Amazoníada Digestiva e promove exposição do intestino Gigante






Entre os dias 1º e 4 de junho, estará em exposição aberta à visitação pública uma réplica aumentada do intestino humano, denominado “intestino gigante”. Trata-se de concepção artística do órgão com finalidade pedagógica para o conhecimento de sua anatomia e de seu funcionamento, além da prevenção das doenças que o acometem, procurando criar uma conscientização da população para a prevenção destas.

http://www.portal.ufpa.br/imprensa/noticia.php?cod=4701

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Senado aprova realização de plebiscito sobre criação de Tapajós







01 de junho de 2011

Novo estado seria resultado do desmembramento de 27 municípios do oeste do Pará, onde vive 1,7 milhão de pessoas. Consulta vai acontecer ainda este ano

A população paraense poderá opinar, ainda este ano, a respeito da divisão do território para a criação do estado de Tapajós. Projeto que prevê a realização de plebiscito sobre a questão foi aprovado pelos senadores ontem e agora será promulgado pelo Congresso Nacional.

A proposta (PDS 19/99), do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), estabelece a realização de plebiscito sobre o desmembramento de 27 municípios no oeste do Pará, onde vive 1,7 milhão de pessoas. O estado corresponderia a 58% do atual território paraense.

Os municípios são Almeirim, Prainha, Monte Alegre, Alenquer, Óbidos, Oriximiná, Faro, Juruti, Belterra, Santarém, Porto de Moz, Vitória do Xingu, Altamira, Medicilândia, Uruará, Placas, Aveiro, Itaituba, Trairão, Jacareacanga, Novo Progresso, Brasil Novo, Curuá, Rurópolis, Senador José Porfírio, Terra Santa e Mojuí dos Campos.

O plebiscito deverá ser realizado em seis meses, a partir da promulgação do decreto legislativo, e será organizado pelo Tribunal Regional do Pará, instruído pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No mesmo plebiscito, os paraenses deverão concordar ou não com a criação de outro estado, o de Carajás, composto por 39 municípios ao sul e sudeste do Pará, segundo o PDS 52/07, já aprovado pelos senadores.

Todos os que discutiram o projeto defenderam o plebiscito, por ser um direito da população, mas consideraram um erro a criação de mais um estado.

A senadora Marinor Brito (PSOL-PA) ressaltou que apoia o plebiscito e a ampliação dos mecanismos de participação popular e disse que sucessivos governos abandonaram a região, que hoje "vive no flagelo" com trabalho escravo, mortes no campo e tráfico de seres humanos.

— Se alguns se acovardam com medo de perder o eleitorado, eu tenho orgulho de dizer que tive uma votação expressiva na região — afirmou.

Mário Couto (PSDB-PA), por sua vez, disse que a decisão da população é que será a soberana, e não a vontade de governantes ou políticos.

Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) fez um apelo para que a população mantenha a integridade do território. João Pedro (PT-AM) defendeu que, em vez da divisão territorial, todos os habitantes do estado tenham acesso às políticas públicas que garantam seu desenvolvimento.


fonte: http://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/noticia.asp?codNoticia=106900&dataEdicaoVer=20110601&dataEdicaoAtual=20110601&codEditoria=809&

NUMA - Pós-Graduação em Gestão dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Local: Seleção de Mestrado



Há 20 vagas disponíveis.
Inscrição: até 3 de junho de 2011.

Informações:
fone » 3201-8198
e-mail » ppgedam@ufpa.br
site » http://www.ufpa.br/numa/PPGEDAM/

IFCH - Especialização em Populações Indígenas na Amazônia




Realização: 1° de setembro de 2011 a 31 de agosto de 2012.
Inscrição: de 6 a 20 de junho de 2011.
Informações: Para mais informações, clique no link abaixo e acesse o edital.
site » http://www3.ufpa.br/multicampi/TempAscom/indif.pdf

terça-feira, 31 de maio de 2011

Aldo Rebelo: O Código Florestal e a quinta coluna - Portal Vermelho

Aldo Rebelo: O Código Florestal e a quinta coluna - Portal Vermelho

Semana do Meio Ambiente: programação




A Semana do Meio Ambiente acontece em várias unidades da UFPA, com ampla programação.
Realização: de 1° a 4 de junho de 2011.
Informações:
site » http://ufpasustentavel.blogspot.com/2011/05/proex.html

REPERCUSSÃO - TERRA DE NINGUÉM: REGIÃO AMAZÔNICA VIROU PALCO DE CONFLITOS NO CAMPO, AMEAÇAS E MORTES JÁ SÃO FREQUENTES « Educação Política


TERRA DE NINGUÉM: REGIÃO AMAZÔNICA VIROU PALCO DE CONFLITOS NO CAMPO, AMEAÇAS E MORTES JÁ SÃO FREQUENTES « Educação Política

Repercussão dos Crimes no PA na rede dos blog's - são frutos da impunidade, afirma Pedro Casaldáliga

GUERRILHEIROS VIRTU@IS: Crimes no PA são frutos da impunidade, afirma Pedro Casaldáliga

http://guerrilheirosvirtuais.blogspot.com/2011/05/crimes-no-pa-sao-frutos-da-impunidade.html

Separatismo no Pará, o desconhecimento e o preconceito





Manuel Dutra
Jornalista e professor do curso de Comunicação da UFPA

A rigor, não existe um debate sobre as demandas das regiões Oeste e Sul do Pará por autonomia política. Em Belém, isso não existe por desconhecimento das razões desses pleitos, um desconhecimento que engendra o preconceito. Em Santarém e Marabá, candidatas a capitais, o debate é débil em virtude da profunda dependência político-partidária das elites locais em relação aos grupos de poder político e econômico sediados na capital do Pará. Não havendo, lá, lideranças sociais não partidárias engajadas no embate separatista, o que deveria ser um debate salutar, lá e cá, torna-se conversa sazonal que se transfere para o âmbito de comissões do Congresso, em Brasília.

Quanto à inclusão do Marajó e do Xingu na presente temporada separatista, isso se deve mais à ação de grupos cuja história não recomenda esses dois pleitos. Consistência, rigorosamente falando, somente existe quanto ao pleito do Oeste e, secundariamente, quanto ao do Sul do Pará. Mesmo assim, ambos os casos têm história e motivações contemporâneas profundamente distintas.

No caso do pretendido Estado do Carajás, a demanda vem do início dos anos 1990, quando aquela região começou a ter novo sentido econômico, a partir do significado da Serra dos Carajás e do desenvolvimento da agricultura e pecuária. Empreendimentos que ensejaram a formação de uma ainda nascente elite regional, liderada fortemente por grupos não-paraenses, sem maiores ligações históricas e culturais com Belém, esta grande cabeça física, inchada pelas migrações, de uma unidade federativa cujas elites desconhecem profundamente o que se passa no interior do Pará.

No Oeste do Estado existe consistência histórica para o pleito, que vem do momento em que Pedro II assinou, em 1850, o decreto de criação da Província do Rio Negro, mais tarde Província e Estado do Amazonas, depois que as elites daquela unidade intentaram, sem êxito, a separação por conta própria, em 1832.

Após a perda territorial de sua imensa banda Oeste, as elites paraenses permaneceram inconformadas, e rusgas foram freqüentes entre as duas unidades. Surgiu, então, a idéia de se criar uma terceira província, que viria, naquele momento, servir de algodão entre cristais. Em 1869, segundo relata Ferreira Reis, foram intensos os debates no Parlamento Imperial sobre a necessidade de transformar o Baixo Amazonas paraense (hoje chamado de Oeste do Pará) em um província autônoma. Em 1832, o Grão-Pará tinha três Comarcas: Belém, Santarém e Manaus. Santarém adquiria, assim, status jurídico e administrativo semelhante ao das outras duas cidades, alimentando o sonho da autonomia que jamais veio a se realizar.

Isso porque as elites baseadas em Santarém foram tão débeis que jamais conseguiram, nesse século e meio, dar conseqüência à sua aspiração. Desse percurso percebe-se que há razões históricas e contemporâneas para o pleito separatista, sendo as de hoje o fato concreto dos poucos investimentos estaduais no Oeste, onde nos últimos 30 anos os mais vultosos investimentos em infra-estrutura foram obra do governo federal: rodovias, portos, aeroportos, o hospital regional de Santarém e mesmo obras urbanas se fizeram graças a dinheiro de Brasília.

Sejam quais forem as reais motivações, o perigo está em que o Estado do Tapajós pode surgir do escuro, em meio à ausência de debates produtivos e com o desconhecimento proposital das elites de Belém. Aliás, vejo benéfica para Belém, como cidade, a criação do Tapajós e Carajás. A capital paraense é hoje um aglomerado metropolitano de problemas estruturais, cuja solução não se vislumbra. Imagino que, se houvesse debate a respeito dos problemas paraenses, a questão da criação dos dois Estados seria vista como potencialmente benéfica para a solução dos problemas da atual capital, com a descentralização das migrações em direção a Santarém e Marabá. O que fariam lá, só Deus sabe...

doutor em Ciências Sócioambientais, autor do livro “O Pará dividido: discurso e construção do estado do Tapajós” em que analisa criticamente o pleito por autonomia

Berlusconi sofre derrota em Milão, Nápoles, Cagliari e Trieste - Portal Vermelho












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